Pensamento Político

Grupo de Pesquisa Marxismo e Pensamento Político

Encerrados

Estratégia do contratempo: uma investigação sobre o conceito gramsciano de hegemonia

Coordenador: Prof. Alvaro Bianchi (2006 – 2010)

A presente pesquisa tem por objetivo proceder à reconstrução crítica do pensamento gramsciano, e particularmente dos Quaderni del carcere, investigando o lugar ocupado pelo conceito de hegemonia. A primeira hipótese é a de que a reconstrução das formas de exercício da hegemonia na análise gramsciana implica em reconhecer as diferentes temporalidades que se fazem presentes no conjunto dos Quaderni. Para tal é necessário destacar: a) a não contemporaneidade existente no interior dessa obra entre o tempo histórico e o tempo do processo de produção teórica; b) a discordância dos tempos da herança histórico-nacional italiana e a herança histórico-internacional da Revolução Russa. A segunda hipótese que orientará este trabalho é a de que a valorização da complexidade diacrônica permite revelar a unidade existente no pensamento gramsciano entre: a) história, filosofia e política; b) estrutura e superestrutura; c) as dimensões nacional e internacional da política e da cultura; e d) Estado e sociedade civil. A terceira hipótese é a de que a percepção da discordância dos tempos histórico-internacional e histórico-nacional permitirá distinguir de modo preciso duas formas diferentes de realização da hegemonia no pensamento gramsciano: a) a hegemonia no sentido pleno da palavra, como direção política e cultural de uma classe revolucionária sobre o conjunto das classes subalternas; b) hegemonia restrita, como direção em um período histórico no qual a classe dominante já perdeu a capacidade de assimilar a seu projeto as classes subalternas. Esta investigação procura incorporar aos estudos gramscianos realizados no Brasil a rica metodologia genético-diacrônica que tem caracterizado recentes pesquisas na Itália.

Teorias da hegemonia

Coordenador: Prof. Alvaro Bianchi (2004 – 2006)

Esta pesquisa tem por objetivo proceder ao estudo crítico das teorias mais influentes da hegemonia, procurando reconstruir um conceito capaz de articular as dimensões intranacionais e transnacionais da política. O conceito de hegemonia é compreendido, desse modo, como uma ponte conceitual entre uma teoria do Estado e uma teoria das Relações Internacionais. Não se trata de uma reconstrução lógica, mas de um exercício de teoria que se debruça sobre os materiais históricos da política contemporânea.

Hegemonia, guerra e política: uma leitura

Coordenador: Prof. Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos

Tomando por base o pensamento de Antonio Gramsci em sua obra carcerária e seus intérpretes, os principais objetivos da pesquisa proposta são: buscar o entendimento da relação lógica entre as relações sociais fundamentais e as relações internacionais; compreender como guerra e política atuam nos dois conjuntos de relações e como a hegemonia está relacionada a tal temática; verificar as conseqüências do significado da relação entre sociedade civil e Estado no plano interno para compreender similaridades, temporalidades e especificidades da hegemonia no plano interno e na política internacional.

Existe um pensamento político subalterno? Um estudo sobre os “Subaltern Studies”: 1982-2000

Camila Massaro Góes (Mestrado em Ciência Política, FFLCH/USP)

Política e cultura em Antonio Gramsci e Piero Gobetti: 1918-1926

Daniela Mussi (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP)

O presente projeto pretende orientar uma investigação comparativa entre Antonio Gramsci e Piero Gobetti no período 1919-1925. A pesquisa tem por objetivo identificar traduções possíveis entre as reflexões culturais e aquelas propriamente políticas dos dois intelectuais italianos, bem como reconstruir o diálogo que estabeleceram durante os anos de mobilizações operárias em Turim (1919-1920), período conhecido por bienio rosso. A hipótese central da investigação é que a proximidade entre o dirigente marxista e o intelectual liberal foi fruto de uma reflexão político-cultural compartilhada, que se expressou na análise do caráter contraditório da formação do Estado moderno na Itália e sua correspondência: a) no elemento nacional-popular em oposição ao cosmopolitismo da cultura tradicional italiana, da atitude dos intelectuais frente às massas da península e b) na necessidade de realizar a crítica da cultura em dimensão histórica e política.

Pareto e Gramsci: itinerários da ciência política

Luciana Aliaga (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).

Embora o fenômeno das minorias dirigentes tenha sido tratado por diferentes autores1, foi na Itália em finais do séc. XIX, por meio de Gaetano Mosca (1858-1941) e Vilfredo Pareto (1848-1923), que encontrou sistematização suficiente para alcançar status de teoria política. Antonio Gramsci (1891-1937), nos Quaderni del Carcere estabelece importante diálogo com a teoria das elites, externando confluências e distanciamentos. Em comum com os autores elitistas possui a tradição maquiaveliana dos estudos políticos, isto é, o realismo maquiaveliano, que é responsável por algumas extraordinárias continuidades temáticas e afinidades nas formulações gerais de conceitos políticos entre estes autores. Contudo, existe uma discussão subjacente à teoria das elites, que, apesar de ser menos aparente, nem por isso é menos importante – o debate acerca da possibilidade de formulação de uma ciência das realidades políticas. Por meio deste debate o realismo maquiaveliano adquire diferentes feições. Pareto reivindica uma ciência livre de ideais fictícios, calcada na observação empírica e histórica, o que o leva a compreender a divisão entre governantes e governados como uma realidade imutável, correspondente às divisões do gênero humano. Gramsci, por outro lado, propõe a formulação de uma ciência da política capaz de apreender as ocorrências históricas em sua complexidade compreendendo a “realidade” como fenômeno/aparência dos processos gerados no interior do movimento dialético entre estrutura e superestrutura. Isto o leva a entender o problema das elites por um viés histórico-político. Com isto, Gramsci contribui para um enriquecimento do realismo maquiaveliano. Desta discussão acerca da possibilidade e natureza da ciência política, importantes questões de ordem metodológica e política são trazidas a lume e a elas desejamos nos dedicar nesta pesquisa.

Marxismo e Indianismo na Bolívia: inovações e polêmicas na síntese teórica do grupo “Comuna”

Rodrigo Santaella Gonçalves (Mestrado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).

A pesquisa apresentada aqui tem como objeto o pensamento político do grupo Comuna, na Bolívia, entre 1991 e 2010. O pensamento do grupo sempre teve como mote a incorporação do indianismo boliviano dentro dos marcos de análise do marxismo, e para atingir esse objetivo teórico-político produziu elaborações teóricas inovadoras no campo do marxismo latino-americano, principalmente a respeito do papel revolucionário da propriedade comunal e da atualização do conceito de classe trabalhadora. Nesse sentido, a pesquisa proposta parte de uma dupla necessidade: a) da investigação das inovações teóricas propostas pelo La Comuna no âmbito do marxismo, b) da reconstrução das principais polêmicas em que esse grupo se envolveu com outras tradições marxistas e indianistas na Bolívia nesse período. Trata-se de uma discussão teórica sobre o pensamento político do grupo e de uma discussão histórica sobre o surgimento dessa corrente de pensamento. A pesquisa é um desdobramento da investigação científica finalizada em 2010 sob o tema “Estado, neoliberalismo e alternativas na América Latina: uma análise da experiência boliviana”, e se enquadra num conjunto mais amplo de pesquisas dentro do Centro de Estudos Marxistas (CEMARX), no Grupo de Pesquisa Marxismo e Pensamento Político – linha de Pensamento Político Latino-americano.

Antonio Gramsci e a historiografia: a Revolução Francesa na filosofia da práxis

Sabrina Miranda Areco (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).

Esta pesquisa tem como tema a reflexão de Antonio Gramsci (1891-1937) sobre a Revolução Francesa, com ênfase na produção do período carcerário (1926-1937). Embora nos escritos anteriores (1919-1926) tenha tratado da temática, foi durante a redação de seus Cadernos que a mesma ganhou envergadura teórica e analítica quepermite inserir o marxista italiano no debate historiográfico sobre a Revolução Francesa. Diante de um fenômeno original (Revolução Russa) e em confronto com a história do processo de configuração do Estado moderno na Itália, Gramsci retomou aquele debate. É preciso, portanto, considerar que sua análise foi essencialmente dialógica e conjugou diferentes contextos históricos e tradições políticas. Para reconstruir tal interconexão histórica e política no que tange à reflexão sobre a Revolução Francesa, o projeto abordará interlocução de Gramsci com a historiografia italiana liberal – Vicenzo Cuoco (1770-1823) e Benedetto Croce (1866-1952) – por um lado; e por outro com a produção do historiador socialista Albert Mathiez (1874-1932).

Mito e religião no pensamento político de José Carlos Mariátegui

Sydnei Melo (Mestrado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).