Pensamento Político

Site do Laboratório de Pensamento Político – PEPOL/Unicamp

Em andamento

Uma tradição interrompida: Antonio Gramsci e a ciência política italiana

Coordenador: Prof. Alvaro Bianchi (2009-Atual).

Tomando como ponto de partida a idéia de que no começo do século XX em uma tradição nacional diversa do pensamento político a italiana teve lugar um projeto intelectual de conformação de uma nova Ciência Política, os objetivos desta pesquisa são: 1) fixar os traços característicos principais dessa tradição do pensamento político italiano tal como se consubstanciaram no começo do século XX; 2) reconstruir a história da afirmação dessa Ciência Política no começo do século XX investigando seus métodos e seu objeto; 3) identificar no âmbito dessa tradição o lugar ocupado pelo o pensamento político de Antonio Gramsci e verificar as soluções que este apresentou para os problemas apresentados pela Ciência Política italiana de sua época. Com isso pretende-se contribuir, em primeiro lugar para uma história da Ciência Política que valorize as diversidades nacionais e, em segundo lugar, para uma revalorização da contribuição gramsciana para a Ciência Política contemporânea.


Populismo periférico: o pensamento político do Cedec (1976-1988)

Daniela Mussi (Pós-doutorado em Ciência Política, FFLCH/USP)

O objetivo da pesquisa é reconstruir o pensamento político desenvolvido no âmbito do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) a partir de sua fundação em 1976, como representante de uma tradição democrática de pensamento político no Brasil contemporâneo. Para isso, toma como referência os primeiros anos de existência do Cedec, centro estabelecido em São Paulo a partir da atividade comum de intelectuais, pesquisadores e professores engajados no estudo dos problemas teóricos e práticos sobre a política e a vida popular brasileira. A pesquisa vai investigar o papel do Cedec na afirmação de um pensamento sobre o problema da participação política das classes populares brasileiras que ganhou fôlego no momento de crise do regime militar, que se iniciou em meados dos anos 1970 e se prolonga até o fim dos anos 1980. Como hipótese, a pesquisa trabalha com a ideia de que a fundação do Cedec pareceu combinar dois objetivos: da busca por um novo “lugar político” para os intelectuais na vida nacional e da abertura de um novo campo de investigação e reflexão no qual as classes populares poderiam revelar sua história, cultura dinâmica política próprias. Neste sentido, o estudo do pensamento político desenvolvido inicialmente no interior do Cedec deve revelar os impasses da afirmação original de uma tendência democrática adaptada ao problema da transição política na qual a atividade intelectual adquiriria novo significado e simbolismo.

O conceito de Geopolítica para o pensamento de Antonio Gramsci e seus intérpretes

Érika Amusquivar (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP)

O projeto de doutorado consiste em investigar uma vertente específica do pensamento gramsciano ao resgatar a dimensão espacial a partir da análise do conceito de geopolítica. Para tanto, o trabalho busca reorganizar as ideias presentes nas obras de Gramsci sobre a relação sinonímia entre geografia e geopolítica e também de seus intérpretes contemporâneos, sobretudo na área das Relações Internacionais, no que se refere à relação entre espaço e política. Trata-se de reconstituir um mapa conceitual ao qual traz Antonio Gramsci como teórico espacial a partir de um conjunto de autores – precursores e, mais tarde os intérpretes gramscianos – que se preocupam com a política como uma questão espacial e geográfica. Portanto, proporá uma análise teórica por meio da reconstrução conceitual em termos das fontes e de releituras sobre a política espacial, como foco na geopolítica.

Usos de Gramsci e a tradução do marxismo na América Latina: uma investigação sobre as revistas Presença e Pasado y Presente

Camila Góes (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP)

O projeto apresenta como objeto central dois coletivos editoriais, a revista brasileira Presença e o periódico argentino Pasado y Presente. Tanto o grupo brasileiro quanto o argentino foram formados por intelectuais marxistas que haviam estabelecido uma relação crítica, em graus diferenciados, com os partidos comunistas de seus países e se uniram nestas empreitadas como forma de intervir politicamente no debate estabelecido na época. Além disso, procuravam oferecer um espaço de elaboração cultural para interpretações plurais a respeito dos processos específicos de interrupção e retorno à democracia pelos quais passavam o Brasil e a Argentina. Ambas as revistas recorreram a Antonio Gramsci para formular suas visões, estabelecendo um diálogo a partir deste referencial com as vertentes nacionais de esquerda e enfrentando de modo geral os dilemas da questão democrática. Buscamos, com esta investigação, lançar luz sobre o pensamento político produzido por estes coletivos, tendo como hipótese se tratar de tentativas de nacionalizações do marxismo que apresentaram como ponto de partida, em maior medida, o pensamento de Gramsci e a tradução de suas categorias. Com este objetivo, buscaremos no contexto mobilizado pelas revistas as especificidades da história política de seus países e a originalidade de suas intervenções teórico-políticas.

Religiosos e conservadores: pensamento político da “bancada evangélica” no Congresso Nacional

Sydnei Melo (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP)

O presente projeto de pesquisa estuda a existência de um pensamento político conservador entre os deputados da “bancada evangélica” no Congresso Nacional. A pesquisa se debruçará sobre os períodos da Constituinte de 1987 e da legislatura 2011-2015, analisando discursos e manifestações públicas dos parlamentares evangélicos, e buscando compreender o impacto de suas ideias nos debates políticos desenvolvidos no país. Partimos de duas hipóteses: de que a irrupção protestante na política brasileira na década de 1980, com suas reivindicações predominantemente conservadoras, pode ter conexões estabelecidas com o fortalecimento da new christian right norte-americana no mesmo período; segundo, o crescimento da “bancada evangélica” e o fortalecimento de seu papel no cenário político contribuiria para o aumento da coesão política e ideológica deste grupo, que passaria a forjar um projeto político unitário, de bases conservadoras e moralizantes.

Os trotskistas brasileiros e o problema da democracia (1974-1979)

Lígia Carrasco (Mestrado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).

Após a experiência da estratégia das guerrilhas, na primeira metade da década de 1970, durante o regime civil-militar brasileiro, as organizações trotskistas começam a discutir a importância de compreender os sentidos da democracia, a luta por liberdades políticas e democráticas e a possibilidade destas questões se articularem com a luta pelo socialismo. Para entender o impacto deste debate sobre as esquerdas brasileiras, sobretudo no caso dos trotskismos, este projeto procurará analisar o pensamento de três organizações que atuaram no período: Liga Operária, Organização Socialista Internacionalista (OSI) e Partido Operário Comunista (POC). O objetivo central é compreender de que maneira a luta pelas liberdades democráticas e os debates teóricos sobre a questão democrática atualizaram este conceito dentre as esquerdas brasileiras, em especial entre os trotskismos.

Conservadorismo e liberalismo no discurso jornalístico do Brasil contemporâneo: estudo de caso da revista Veja

Elayne Morais (Graduação em Ciências Sociais, IFCH/UNICAMP).

Tendo em vista que o liberalismo clássico e o conservadorismo clássico são ideologias políticas antagônicas, tendo a segunda surgido sob a forma de resistência à primeira, na Europa da Revolução Francesa, cabe perguntar se esse antagonismo está de fato presente na vida política do Brasil contemporâneo, como entende o senso comum. Sendo a revista Veja uma publicação de tendência conservadora, esse estudo se propõe a analisar os textos produzidos para a versão impressa da revista por alguns de seus colunistas, de forma a buscar revelar se ainda é possível distinguir um argumento conservador de um argumento liberal no contexto brasileiro, ou se, hipótese com a qual trabalha a presente investigação, o conservadorismo político está a tal ponto fundido com o liberalismo econômico no Brasil, que deixa de fazer sentido tal distinção.

Democracia progressiva e transformismo: o PCI e a questão meridional do pós-guerra (1945-1956)

Andreia Pagani Maranhão (Doutorado em Ciência Política, IFCH/UNICAMP).